terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Edinho Araújo: sem preocupação com adversários


Foto de Fabrício Spatti
Edson Edinho Coelho Araújo, 61 anos, ex-prefeito de São José do Rio Preto por dois mandatos, que acaba de se eleger deputado federal pela terceira vez, conversou com o Política&afins por e-mail e diz que não teme adversários, que já venceu Manoel Antunes e Valdomiro Lopes antes e que João Paulo Rillo (PT) não lhe causa nenhuma preocupação. "Desejo sorte a ele". Preciso, porém vago, ele desconversa quando o tema é 2012. Veja na entrevista que segue.

Blog - O jornalista Mário Soler conta, em seu livro, que o senhor ensaiou para ser político desde criança, quando fazia discursos na frente do espelho. O senhor se considera político profissional?
Edinho Araújo: O termo ‘político profissional’ pode soar pejorativo, e até preconceituoso. Mas digo que sou político por opção. Desde minha primeira eleição vitoriosa, em 76, decidi deixar as atividades de professor e advogado e seguir a carreira política, por acreditar que a política deve ser feita buscando o bem das pessoas. Creio que as conquistas ao longo da minha vida pública me credenciam a continuar agindo assim. De fato o Soler relatou, com base em depoimentos de parentes e de pessoas que conviveram comigo, essa vocação precoce para a política. Aos 10 anos já discursava nas reuniões de família. Nunca tive motivos para me envergonhar de ser político.

Blog - O deputado Rodrigo Garcia sugeriu, em entrevista, na TV TEM, a união dos seis deputados federais pela duplicação da BR-153. O senhor concorda e vai participar?

Edinho Araújo: O Rodrigo é um político a quem respeito muito e tem preocupações com os problemas regionais. Não devemos aqui disputar a paternidade por obras, mas brigar pelos interesses regionais. Em todas as minhas entrevistas e no meu plano de trabalho como deputado (que você conhece) a BR-153 está no centro das atenções. Defendo mais: um plano viário estadual que recupere as rodovias da região e melhore a infra-estrutura para transportes em todas as suas modalidades. Vejo também nas falas dos deputados federais eleitos e reeleitos pela região a mesma preocupação. Eu disse à TV Tem no dia seguinte à eleição e reafirmo: a BR-153 é prioridade zero e sou pela união de esforços para termos maior poder de fogo.

Blog - Há alguma dificuldade no relacionamento entre o senhor e o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, pelo fato de ter trabalhado contra Dilma na eleição?
Edinho Araújo:
Nenhuma. Nossa relação política e de amizade pessoal não vem de hoje. Somos militantes de longa data pela causa democrática. Não trabalhei contra a Dilma, trabalhei a favor do Serra. Em São Paulo, o PMDB assumiu posição diferenciada em relação ao diretório nacional. O Quércia bancou a dissidência paulista, Temer esteve com Dilma desde o primeiro momento. Trabalhei abertamente pelas candidaturas apoiadas pelo PMDB paulista, sem ficar em cima de muro como alguns ficaram... Depois da eleição decidi assumir uma posição independente e aguardar novo posicionamento do PMDB paulista. Tenho pelo vice-presidente Michel Temer muito apreço e respeito.

Blog - Já houve alguma reunião de bancada entre os novos eleitos?
Edinho Araújo:
Que eu tenha participado, não, pois estava envolvido nos lançamentos do livro do Mário Soler.

Blog - Qual será sua meta nesse ano, na Câmara dos Deputados?
Edinho Araújo:
A região fez uma bancada invejável. Seis deputados federais, cinco estaduais e um senador. Entendo que devemos unir esforços para dar voz forte à região e lutar pelas causas regionais, sem perder de vista a demandas nacionais que requerem urgência, que são, a meu ver, as reformas política e tributária.


Blog -Alguns setores o acusam de, enquanto prefeito, ter deixado escapar os recursos que seriam para a duplicação da BR-153. O que existe de fundamento nessa versão?
Edinho Araújo:
É um daqueles boatos maldosos que, até alguns anos atrás, chegavam às redações através de cartas anônimas, e agora chegam por e-mails, igualmente não identificados. Qual administrador seria tolo de abrir mão de uma obra dessas? Fiz o projeto da duplicação, acertei tudo com o DNIT, abri a licitação, cobrei os recursos... Se o governo federal quiser tem todas as ferramentas para iniciar a obra amanhã mesmo.

Blog - Qual foi seu maior desafio quando governou Rio Preto?
Edinho Araújo:
Em 2001, peguei a Prefeitura com três salários atrasados, a frota parada, a cidade sem água. Tomei uma decisão de emergência: colocar água nas torneiras. Resolvemos o problema crônico em dois anos, criamos o Semae. Foi a grande obra do meu primeiro mandato. O outro desafio era maior ainda: o rio Preto e os seus afluentes deixaram de ser cursos d´água normais para se tornarem meros condutos de poluição. Tudo a céu aberto, com um mau cheiro terrível. No segundo mandato, construímos a Estação de Tratamento de Esgoto, que resolveu o grave problema ambiental de mais de um século e meio. A ETE já é reconhecida como a obra do século.

Blog - O que considera uma derrota em sua trajetória?
Edinho Araújo:
Tive uma derrota que, tempos depois, passei a considerar uma vitória. Foi minha primeira derrota eleitoral, em 1972, disputando a Prefeitura de Santa Fé do Sul. Eu era um jovem de 23 anos, ansioso por ser protagonista na política, mas, reconheço hoje, ainda imaturo. Essa derrota foi o fato mais importante de minha carreira política, pois me deu humildade, pé no chão e experiência. Depois dela, disputei mais nove eleições e venci todas.

Blog - O senhor, enquanto prefeito, conquistou a simpatia do eleitorado classe A, que já o considera como candidato, em 2012. A tentação é grande, o senhor pretende resistir?
Edinho Araújo:
Não concordo que tenha conquistado apenas a classe A. Conquistei a simpatia de grande parte do eleitorado, tanto que fui o primeiro prefeito reeleito da história de Rio Preto. Deixei a Prefeitura com mais de 70% de aprovação em diferentes avaliações. Não penso em 2012, penso apenas no dia 1º de fevereiro de 2011, quando tomarei posse como único deputado federal eleito pelo PMDB de São Paulo, e o federal mais votado da história em Rio Preto. Assumo com a enorme responsabilidade de corresponder às expectativas de 100.195 eleitores paulistas que sufragaram o número 1523.

Blog - Agora que está fora, depois de 8 anos a frente do comando da cidade, o que considera que poderia ter feito e não fez?
Edinho Araújo:
Fiz mais de 600 obras e gostaria de ter feito ainda mais. De ter entregue o Poupatempo e a restauração da Swift, por exemplo, mas não houve tempo. Não se pode fazer tudo. Há uma frase que eu disse ao Soler, e que está no livro, que resume bem a ansiedade de quem está no poder por resolver tudo antes de passar o bastão ao sucessor: “...a cabeça do político tem um tempo, bem mais veloz, mas a formalidade tem outro, muito mais burocrático. A ansiedade de fazer e fazer depressa esbarra nas regras que todo administrador tem de seguir. Eu adoraria ter entregue o Poupatempo e a Swift. A primeira obra levou quase quatro anos para chegar à fase final, e só o projeto da Swift consumiu um ano!”

Blog - E o que fez que faria diferente?
Edinho Araújo:
Não me arrependo de nada do que fiz. Trabalhei seriamente, deleguei funções, valorizei a equipe, ouvi a comunidade. Nem tudo sai 100% como a gente deseja. Não somos perfeitos. Isto vale para o prefeito e também para o presidente.

Blog - Qual seu adversário mais difícil de enfrentar: Valdomiro Lopes ou Manoel Antunes?
Edinho Araújo:
São dois políticos que inscreveram seus currículos na história de Rio Preto, como eu fiz. A história julgará nossas trajetórias. Tive a honra de concorrer com esses dois tradicionais nomes da política e venci as eleições, o que me orgulha muito.

Blog - E o petista João Paulo Rillo, que pode se tornar um adversário a médio prazo, de zero a 10, qual seu nível de preocupação com ele?
Edinho Araújo:
Ele foi eleito deputado e terá as mesmas preocupações que eu terei, ou seja, corresponder às expectativas de quem nos elegeu, oferecendo em contrapartida muito trabalho. Não tenho nenhuma preocupação com o deputado. Desejo que ele tenha boa sorte e um mandato produtivo na Assembleia Legislativa.

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